sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Comodismo brasileiro: um câncer em nossa sociedade

       Iniciarei esse texto com uma reflexão pessoal. Quando estava prestes a fazer vestibular, me perguntei varias vezes: - Qual a utilidade pessoal e social do curso que eu pretendo fazer?
        Muito sabiamente resolvi fazer o curso de História, algo que acredito ser uma das decisões mais acertadas da minha vida, mas voltando a pergunta passada: "Qual a utilidade pessoal e social do curso que eu pretendo fazer?", a primeira parte do inicio ao fim do curso eu já sabia pois era com grande alegria que fiz e conclui o curso e com uma satisfação pessoal muito grande, já a segunda parte fui descobrindo ao longo dos anos de curso e hoje depois de ter feito o curso chego hoje a seguinte conclusão:  O historiador é aquele que "desnaturaliza tudo e todos", porque ele acredita que se tratando de seres humanos tudo é um processo de construção e desconstrução histórica e que sós ou em grupos somos capazes de promover a mudança seja ela pessoal ou social. Portando não aceitamos fatalismos humanos, pois toda atitude humana está dentro de um processo constante.
         Mas o que isso têm haver com o famoso e recorrente "comodismo brasileiro"?
         Pensem comigo porque nós brasileiros embora vivenciamos em uma sociedade onde: a violência é desmedida tanto nas ruas quanto no âmbito familiar, a fome assola boa parte da população em pleno século XXI, morremos ainda por doenças como dengue (que é problema de falta de saneamento básico e conscientização da população), vivemos com salários ridículos e os nossos governantes com salários enormes aumentados por eles mesmos, dentre outras caracteristicas totalmente visíveis a todos na sociedade brasileira. Estamos sempre nós adaptando as desgraças e o pior com o jeitinho brasileiro enfrentamos tudo com o bom humor de sempre,achando que tudo é natural, quando não responsabilzamos a Deus e achamos que foi ele que quis que as coisas fossem assim, para justificar o nosso comodismo. Achamos natural: as crianças entrarem no mundo do tráfico cada vez mais cedo, crianças sendo pais e mães de outras crianças, comprar objetos roubados ou contrabandeados, sair na ruas sabendo que a todo instante você pode ser alvejado por uma bala e morrer, eleger de dois em dois anos que ira nos roubar e etc.
      Essas carateristicas lamentáveis com a qual vivenciamos todos os dias estão caindo no marasmo da população e isso é algo muito perigoso, pois pode  nos levar a uma conformidade dos fatos e se isso acontecer não ficaremos surpresos com nada e sempre aceitaremos tudo, achando que tudo é normal. E isso não só os historiadores mais todo ser humano deve renegar pois nada é natural, parasefeando Helena Greco: "Fiquemos perplexos com tudo, pois é a perplexidade que leva a mudança", e concordo com ela em temos que ficar perplexos com o que vemos e principalmente com o que vivenciamos pois se não está de um modo que agrade se não a todos pelos menos a maioria porque não mudar? Muitos talvez diriam: - O governo é que é assim? E eu te respondo com a famosa frase do filme V de Vingança , "O governo é que deve temer o seu povo".
       Portanto não fique parado achando que tudo é normal ou natural exerça o seu papel de ser humano e promova a mudança, pois somos seres históricos e a mudança está dentro de cada um de nós e sempre, sempre, sempre desnaturalize as coisas pois a mudança só vai ocorrer quando  você ficar perplexo e desnaturalizar as coisas. E finalizo esse texto com uma reflexão de Paulo Freire na sua obra: Pedagogia da Autonomia:    



 "Por tudo isso me parece uma enorme contradição que uma pessoa progressista, que não teme a novidade, que sente mal com as injustiças, que se ofendo com as discriminações, que se bate pela decência, que luta contra a impunidade, que recusa o fatalismo cínico e imobilizante, não seja criticamente esperançosa. A desproblematização do futuro numa compreendendo mecanicista da História, de direita ou de esquerda, leva necessariamente à morte ou à negação autoritária do sonho, da utopia, da esperança. É que, na inteligência mecanicista portanto determinista da História, o futuro é já sabido. A luta por um futuro assim “ priori” conhecido prescinde da esperança. A desproblematização do futuro, não importa em de quê, é uma violenta ruptura com a natureza humana social e historicamente constituindo-se."




  

Nenhum comentário:

Postar um comentário